A necessidade de acompanhar a passagem do tempo é muito anterior à invenção dos relógios.
Há cerca de 20 mil anos, grupos humanos já registravam as fases da Lua em ossos, pedras e
paredes de cavernas. Mais tarde, observar o movimento do Sol permitiu dividir o dia de
maneira mais organizada: no Egito, por volta de cinco mil anos atrás, surgiram alguns dos
primeiros relógios solares conhecidos; depois vieram os relógios de água, que mediam
intervalos pelo escoamento controlado de um recipiente e podiam funcionar mesmo sem a luz
do Sol.
Durante séculos, medir as horas significou recorrer a esses fenômenos regulares da
natureza. A grande mudança aconteceu na Europa no final do século XIII, quando surgiram os
primeiros relógios mecânicos. Eram mecanismos grandes, caros e ainda pouco precisos,
instalados principalmente em igrejas e edifícios públicos. Sua função não era oferecer a
cada pessoa uma consulta individual das horas; eles organizavam atividades coletivas,
marcavam períodos de oração e faziam com que uma comunidade passasse a compartilhar uma
referência de tempo.
A possibilidade de contar o tempo individualmente só apareceu alguns séculos depois. No
século XVI, o desenvolvimento de mecanismos menores e acionados por molas permitiu
produzir relógios portáteis. No início, eram objetos valiosos, usados pendurados às roupas
ou ao pescoço e trabalhados como peças de joalheria. Com a evolução da relojoaria,
tornaram-se menores e mais práticos, e o relógio de bolso passou a fazer parte do
vestuário masculino durante vários séculos.
O relógio de pulso teve um começo em 1810: Caroline Murat, rainha de Nápoles, encomendou
ao relojoeiro Abraham-Louis Breguet um relógio desenvolvido especificamente para ser usado
no pulso. Os registros da própria Breguet descrevem uma peça oval e extremamente fina,
presa a uma pulseira feita com fios de ouro e cabelo — um exemplo claro de como relojoaria
e joalheria estavam ligadas naquele período.
Por boa parte do século XIX, relógios de pulso continuaram associados principalmente às
mulheres, enquanto os homens preferiam os modelos de bolso. Isso mudou de maneira
significativa no início do século XX e, especialmente, durante a Primeira Guerra Mundial:
para os soldados, consultar as horas diretamente no pulso era muito mais prático do que
procurar um relógio guardado no bolso. A partir desse período, seu uso masculino se
difundiu e o relógio de pulso começou a assumir a forma e a importância que manteria nas
décadas seguintes.
Do relógio solar aos mecanismos mecânicos, e destes aos outros modelos, a maneira de medir
as horas mudou muitas vezes. O relógio passou a reunir engenharia, materiais, acabamento e
design. E justamente por concentrar tantos componentes pequenos trabalhando
continuamente, é uma peça que exige cuidados específicos para continuar funcionando
corretamente.
Oficina das Joias: Relojoaria
Na Oficina das Joias, relojoaria e joalheria fazem parte do nosso trabalho diário. Na
relojoaria, atendemos desde serviços de manutenção mais simples até intervenções que
exigem uma avaliação mais detalhada da peça. Trabalhamos somente com baterias de primeira
qualidade e adequadas ao mecanismo de cada relógio.
Observamos também as condições da vedação, porque as pequenas borrachas que protegem o
interior do relógio envelhecem, ressecam e podem perder eficiência com o tempo. A
resistência à água não é uma característica permanente: fabricantes recomendam que essas
vedações sejam verificadas periodicamente e especialmente quando o relógio é aberto para
troca de bateria ou manutenção.
Quando necessário, fazemos a substituição dessas borrachas de vedação, além de serviços
como troca de vidro, polimento da caixa e da pulseira, limpeza e higienização, ajustes e
substituição de pulseiras. Para reposição, trabalhamos com pulseiras em aço, silicone ou
100% couro, escolhidas de acordo com o relógio e com a forma de uso de cada cliente.
Também realizamos a restauração de mostradores, quando as condições da peça permitem, um
serviço especialmente interessante em relógios antigos ou com valor afetivo. Um mostrador
marcado pelo tempo nem sempre precisa ser descartado; em alguns casos, é possível
recuperar sua leitura e aparência preservando a identidade do relógio.
Quando o problema está no funcionamento, fazemos a avaliação para a revisão geral do
mecanismo. Antes de simplesmente substituir componentes, procuramos entender o que está
acontecendo com a máquina, quais partes estão comprometidas e qual intervenção é adequada
para aquele modelo. Em relógios antigos, esse diagnóstico é ainda mais importante, porque
disponibilidade de peças, construção do mecanismo e estado de conservação precisam ser
considerados antes de qualquer trabalho.