Modelo sorrindo ao ar livre, usando peças da coleção Tessalia da Oficina das Joias

Revista OJ · Vol. 2 · Set 2026

Tessalia

Oficina das Joias

Introdução

Por que usamos joias?

A origem e a função dos nossos acessórios cotidianos

Usamos joias para marcar compromissos, celebrar conquistas, demonstrar afeto, recordar alguém, encontrar uma identidade pessoal ou nos apresentarmos. Um anel pode representar um vínculo, uma medalha pode revelar uma crença, um relógio herdado pode conservar os hábitos de quem o utilizou, uma peça criada sob medida pode registrar um momento especial. Há também quem escolha uma joia sem relação com qualquer cerimônia, simplesmente porque reconhece nela uma forma de expressão pessoal.

Talvez seja essa a razão de continuarmos usando joias depois de tantos milênios. Os materiais mudam, as técnicas se aperfeiçoam e os códigos sociais são constantemente transformados, mas a necessidade humana de se envolver e expressar algo permanece igual.

Antes do ouro, do diamante e das técnicas de ourivesaria, existiram conchas, dentes, ossos, pigmentos e garras de animais. As primeiras joias não foram criadas em palácios nem destinadas a cerimônias de uma elite: elas surgiram em um período remoto da humanidade, quando vestir o corpo humano passou a significar alguma coisa.

Na caverna de Bizmoune, no atual Marrocos, arqueólogos encontraram pequenas conchas marinhas perfuradas, algumas com vestígios de pigmento vermelho, depositadas há pelo menos 142 mil anos — sendo consideradas as contas de concha mais antigas conhecidas até o momento. O cuidado empregado em objetos tão pequenos revela uma mudança evolutiva: o ser humano não produzia apenas aquilo que garantia sua sobrevivência imediata, mas produzia também símbolos.

Uma concha transformada em conta não era útil para a sobrevivência humana, mas continha um significado mais profundo para a nossa espécie; para os arqueólogos, o aparecimento desses ornamentos está ligado ao desenvolvimento do pensamento simbólico e de formas complexas de comunicação social. A joia começava a funcionar como uma linguagem sutil, capaz de comunicar a identidade de alguém.

Com o surgimento das primeiras cidades, as joias ganharam novos materiais, técnicas e funções. Na antiga Mesopotâmia, o ouro, a prata, o lápis-lazúli e a cornalina formavam algumas peças e objetos cerimoniais de grande elaboração. Como muitas dessas matérias-primas não existiam naturalmente no sul da Mesopotâmia, sua presença revelava contatos com regiões distantes. Usar uma joia era, portanto, exibir não apenas beleza, mas poder político e econômico.

No Egito antigo, a joia assumiu um papel ainda mais ligado à proteção e à continuidade da vida. Amuletos eram usados por pessoas de diferentes posições sociais e podiam representar animais, divindades, ou símbolos sagrados. Determinadas pedras, metais e figuras eram escolhidos por suas propriedades simbólicas; algumas peças acompanhavam seus proprietários inclusive após a morte. A joia era um elemento conjunto da espiritualidade: ela transmitia proteção, saúde, força ou passagem segura para o mundo dos mortos.

Ao longo da Antiguidade e dos séculos seguintes, adornar-se tornou-se também uma forma pública de organizar a sociedade. Anéis, coroas, broches, medalhões, colares e insígnias podiam informar posição política, função religiosa, estado civil, origem familiar ou proximidade com o poder. Durante o Império Bizantino e a Idade Média, era comum essa forma de hierarquia representada pelas joias e pela riqueza.

No século XIX, a industrialização alterou profundamente a produção e o acesso aos adornos. Máquinas permitiram fabricar peças em maior escala, enquanto o crescimento das cidades e de uma nova classe consumidora ampliou o mercado. A joia deixou de pertencer apenas à aristocracia, embora continuasse sendo utilizada como marca de distinção. Ao mesmo tempo, alguns movimentos artísticos reagiram à produção mecanizada e defenderam novamente a mão do artesão, o desenho individual e a importância do processo.

Na virada para o século XX, a joalheria passou a dialogar de maneira mais direta com a arte, a arquitetura, a moda e as transformações sociais. A partir da década de 1960, artistas e designers ampliaram novamente seus limites, utilizando papel, plástico, tecidos e outros elementos que questionavam a ideia de que uma joia precisava ser definida apenas pela raridade ou pelo valor financeiro de sua matéria.

Hoje, todas essas funções podem ser encontradas na joalheria.

Usamos joias porque sentimentos, crenças, vínculos e lembranças também procuram um corpo. E, desde as primeiras conchas perfuradas, encontramos nelas uma maneira de tornar essas emoções visíveis.

Coleção Primavera/Verão 2026 · Oficina das Joias

Tessalia

Primavera e Verão — as estações que devolvem cor e leveza ao cotidiano.

Na primavera e no verão, as joias participam da forma de vestir de uma maneira diferente. Tecidos mais leves deixam o corpo mais visível, as cores aparecem com maior liberdade e um colar, um brinco ou uma combinação de anéis pode mudar completamente uma produção simples. Foi observando essa relação cotidiana com os acessórios e acompanhando as novas coleções de grandes casas que começamos a definir a Primavera/Verão 2026 da Oficina das Joias.

Durante a pesquisa, encontramos um interesse crescente por peças coloridas, materiais de aparência natural e composições menos rígidas. Flores, pedras de diferentes tonalidades, contas, pérolas barrocas e formatos irregulares aparecem junto com colares longos, cordões e pingentes de maior destaque.

Não pretendíamos, porém, reunir tudo o que aparecia nas pesquisas nem desenvolver peças apenas porque determinado formato estava em alta. Era necessário encontrar uma referência que tivesse relação com a Oficina das Joias e que permitisse trabalhar essas informações de maneira própria. Essa direção tornou-se mais clara a partir de uma lembrança da viagem de Elaine e Paulo à Barcelona e de sua visita ao Park Güell.

Modelo fotografando com uma câmera instantânea, usando brincos e anéis com pedras coloridas
Um primeiro olhar sobre Tessalia.
Colares de pérolas em camadas sobre o colo
Pérolas em camadas — um dos temas da coleção.

O que chamou a atenção nessa visita não foi somente a quantidade de cores, mas sim a forma como elas foram organizadas. Os fragmentos têm tamanhos, desenhos e tonalidades diferentes, as curvas acompanham o terreno e as construções não tentam se separar da paisagem. Mesmo com tanta variedade, o conjunto não parece confuso; há equilíbrio porque cada parte foi escolhida e colocada em relação às demais.

Essa observação aproximou o mosaico daquilo que buscávamos para a coleção. A primavera e o verão também são formados por contrastes: flores de espécies diferentes convivem em um mesmo jardim, folhas não crescem com medidas idênticas e as cores mudam conforme a luz, o horário e a estação. A beleza não depende de uma regularidade absoluta, mas da maneira como essas diferenças se encontram.

O nome TESSALIA foi criado a partir da palavra tessela, que designa cada pequeno cubo ou peça utilizada na composição de um mosaico. Uma tessela pode ser feita de pedra, cerâmica, vidro ou outros materiais e possui cor e formato próprios, mas só revela sua função completa quando passa a integrar o desenho ao redor.

Na nova coleção da Oficina das Joias, essa referência não aparece como uma reprodução direta da obra de Gaudí. As joias não imitam as construções ou os desenhos do Park Güell; buscamos trazer um mosaico de peças: pedras coloridas ocupam o lugar das tesselas, pérolas irregulares quebram a repetição perfeita e criam variações de brilho e profundidade. Em algumas peças, o metal delimita pequenos espaços e organiza as cores; em outras, as pedras e as pérolas aparecem de maneira mais livre, preservando diferenças de tamanho, contorno e textura.

Os colares longos com pingentes têm uma participação importante em Tessalia. Além de acompanharem uma direção forte da temporada, eles oferecem espaço para desenvolver peças maiores, nas quais cores, pedras e diferentes acabamentos podem ser observados com mais clareza. O comprimento permite que o pingente seja usado tanto sobre tecidos leves quanto em sobreposições, enquanto sua construção concentra parte importante do trabalho artístico da coleção.

Essa liberdade de combinação também permite aproximar materiais que nem sempre seriam utilizados da mesma maneira. Pedras naturais, pérolas, metais e acabamentos de aparência manual podem coexistir sem que todas as peças precisem repetir o mesmo desenho. O que mantém a união da coleção não é uma fórmula fixa, e sim o cuidado com as proporções, com a seleção das cores e com a forma como cada elemento é colocado ao lado do outro.

O ensaio fotográfico

Para o ensaio fotográfico, escolhemos a natureza como principal cenário da coleção. Buscamos registrar de forma espontânea o contato das pessoas com esse ambiente, deixando que as joias aparecessem integradas à paisagem e à maneira natural de usá-las. As imagens também mostram uma relação que permanece muito próxima de nós: as joias nos acompanham, ficam ligadas a momentos e lembranças e, com o tempo, ganham um valor afetivo para quem as usa.

Em Tessalia, o mosaico funciona como uma maneira de construir e exercer a criatividade. Escolhemos materiais, cores e formas distintas e trabalhamos cada parte até que exista harmonia, sem apagar aquilo que torna cada elemento diferente. É dessa combinação entre arte, natureza, pesquisa e trabalho joalheiro que surge a leitura da Oficina das Joias para a primavera e o verão de 2026.

As peças

Um mosaico Tessalia

Tal como as tesselas de um mosaico, cada peça tem cor e formato próprios — e só revela sua função completa quando vista ao lado das demais. Aqui, o still de cada joia da coleção, lado a lado.

  • Brincos e anéis dourados com pedras azuis, still sobre fundo azul
  • Anéis com pedras rosa e roxa sobre fundo rosa
  • Pingente de madrepérola em formato irregular, lembrando um mosaico
  • Colar com pedras vermelhas sobre fundo rosa
  • Detalhe macro de colar com pedras turquesa sobre tecido lilás
  • Colar e brincos com pingentes em formato de coração, sobre fundo rosa
  • Brincos e anel com pérolas, still sobre fundo amarelo
  • Colar de pérolas e anéis, still sobre fundo azul
  • Pulseira de couro com fecho dourado no pulso
  • Brincos e anel de madrepérola em formato de gota, still sobre fundo amarelo
  • Brincos e anéis com cristais rosa, still sobre fundo rosa
  • Colares finos coloridos sobrepostos, still sobre o pulso
  • Detalhe de anel com pedra verde-água sobre folhagem
  • Brincos e anéis com pedras verde-menta, still sobre fundo azul
  • Colares de contas coloridas, still sobre fundo rosa
  • Brincos de drusa roxa e laranja, still sobre fundo amarelo
  • Conjunto de pulseiras finas sobrepostas no pulso
  • Pingente autoral Trencadís em prata com zircônias coloridas
Pingente autoral Trencadís em prata com zircônias coloridas, sobre laranja Pingente Trencadís visto de perto, mostrando as pedras coloridas encravadas

Trencadís: tudo se torna inspiração

Peça AutoralTrencadís

Para Tessalia, criamos um pingente autoral em prata 950, pensado desde o início a partir da imagem dos mosaicos que inspiraram a coleção. O desenho foge de uma composição perfeitamente simétrica: a estrutura de prata cria pequenos espaços de tamanhos diferentes, preenchidos por zircônias coloridas em vários formatos e lapidações.

As pedras foram escolhidas justamente para não parecerem todas iguais. Tons de azul, verde, amarelo, rosa, roxo e vermelho se encontram em uma composição que lembra os fragmentos de cerâmica de um mosaico, seguindo a linha do abstrato. A intenção foi transformar essa referência em uma joia de verdade, com cor, brilho e pequenas irregularidades.

É a peça que traduz de forma mais direta a origem de Tessalia e também registra uma parte importante do processo criativo desta coleção: sair de uma referência artística e desenvolvê-la até chegar a um desenho próprio da Oficina das Joias.

Reportagem

A Oficina das Joias

Há mais de 70 anos no mercado, buscando cada vez mais inovação.

A necessidade de acompanhar a passagem do tempo é muito anterior à invenção dos relógios. Há cerca de 20 mil anos, grupos humanos já registravam as fases da Lua em ossos, pedras e paredes de cavernas. Mais tarde, observar o movimento do Sol permitiu dividir o dia de maneira mais organizada: no Egito, por volta de cinco mil anos atrás, surgiram alguns dos primeiros relógios solares conhecidos; depois vieram os relógios de água, que mediam intervalos pelo escoamento controlado de um recipiente e podiam funcionar mesmo sem a luz do Sol.

Durante séculos, medir as horas significou recorrer a esses fenômenos regulares da natureza. A grande mudança aconteceu na Europa no final do século XIII, quando surgiram os primeiros relógios mecânicos. Eram mecanismos grandes, caros e ainda pouco precisos, instalados principalmente em igrejas e edifícios públicos. Sua função não era oferecer a cada pessoa uma consulta individual das horas; eles organizavam atividades coletivas, marcavam períodos de oração e faziam com que uma comunidade passasse a compartilhar uma referência de tempo.

A possibilidade de contar o tempo individualmente só apareceu alguns séculos depois. No século XVI, o desenvolvimento de mecanismos menores e acionados por molas permitiu produzir relógios portáteis. No início, eram objetos valiosos, usados pendurados às roupas ou ao pescoço e trabalhados como peças de joalheria. Com a evolução da relojoaria, tornaram-se menores e mais práticos, e o relógio de bolso passou a fazer parte do vestuário masculino durante vários séculos.

O relógio de pulso teve um começo em 1810: Caroline Murat, rainha de Nápoles, encomendou ao relojoeiro Abraham-Louis Breguet um relógio desenvolvido especificamente para ser usado no pulso. Os registros da própria Breguet descrevem uma peça oval e extremamente fina, presa a uma pulseira feita com fios de ouro e cabelo — um exemplo claro de como relojoaria e joalheria estavam ligadas naquele período.

Por boa parte do século XIX, relógios de pulso continuaram associados principalmente às mulheres, enquanto os homens preferiam os modelos de bolso. Isso mudou de maneira significativa no início do século XX e, especialmente, durante a Primeira Guerra Mundial: para os soldados, consultar as horas diretamente no pulso era muito mais prático do que procurar um relógio guardado no bolso. A partir desse período, seu uso masculino se difundiu e o relógio de pulso começou a assumir a forma e a importância que manteria nas décadas seguintes.

Do relógio solar aos mecanismos mecânicos, e destes aos outros modelos, a maneira de medir as horas mudou muitas vezes. O relógio passou a reunir engenharia, materiais, acabamento e design. E justamente por concentrar tantos componentes pequenos trabalhando continuamente, é uma peça que exige cuidados específicos para continuar funcionando corretamente.

Oficina das Joias: Relojoaria

Na Oficina das Joias, relojoaria e joalheria fazem parte do nosso trabalho diário. Na relojoaria, atendemos desde serviços de manutenção mais simples até intervenções que exigem uma avaliação mais detalhada da peça. Trabalhamos somente com baterias de primeira qualidade e adequadas ao mecanismo de cada relógio.

Observamos também as condições da vedação, porque as pequenas borrachas que protegem o interior do relógio envelhecem, ressecam e podem perder eficiência com o tempo. A resistência à água não é uma característica permanente: fabricantes recomendam que essas vedações sejam verificadas periodicamente e especialmente quando o relógio é aberto para troca de bateria ou manutenção.

Quando necessário, fazemos a substituição dessas borrachas de vedação, além de serviços como troca de vidro, polimento da caixa e da pulseira, limpeza e higienização, ajustes e substituição de pulseiras. Para reposição, trabalhamos com pulseiras em aço, silicone ou 100% couro, escolhidas de acordo com o relógio e com a forma de uso de cada cliente.

Também realizamos a restauração de mostradores, quando as condições da peça permitem, um serviço especialmente interessante em relógios antigos ou com valor afetivo. Um mostrador marcado pelo tempo nem sempre precisa ser descartado; em alguns casos, é possível recuperar sua leitura e aparência preservando a identidade do relógio.

Quando o problema está no funcionamento, fazemos a avaliação para a revisão geral do mecanismo. Antes de simplesmente substituir componentes, procuramos entender o que está acontecendo com a máquina, quais partes estão comprometidas e qual intervenção é adequada para aquele modelo. Em relógios antigos, esse diagnóstico é ainda mais importante, porque disponibilidade de peças, construção do mecanismo e estado de conservação precisam ser considerados antes de qualquer trabalho.

Oficina das Joias: Joalheria

A outra parte da nossa oficina está nas joias. Na confecção, trabalhamos principalmente com ouro e, em determinados projetos, também avaliamos peças em prata conforme o desenho e a viabilidade técnica. O processo pode começar literalmente do zero: uma ideia trazida pelo cliente, uma referência, uma pedra que ele já possui ou um desenho desenvolvido especialmente para aquela peça.

A partir daí, acompanhamos as diferentes etapas necessárias para transformar essa ideia em joia. O desenho define todas as medidas; depois vêm a preparação para a produção, a fundição do metal, os ajustes de bancada, a cravação e o acabamento. É um processo detalhado e cuidadoso, porque uma joia não deve apenas parecer bonita: ela precisa funcionar no corpo e ter estrutura adequada para o uso.

Além da confecção, realizamos outros serviços de cuidados para suas joias. Fazemos soldas em correntes, pulseiras, anéis e outras peças, substituição de fechos, ajustes para aumentar ou diminuir medidas, cravação e recuperação da fixação de pedras, além de limpeza e polimento. Alguns desses cuidados são pequenos, mas fazem diferença; uma garra desgastada, por exemplo, pode deixar uma pedra solta antes mesmo que isso seja percebido.

O polimento ajuda a suavizar marcas de uso e recuperar o acabamento e o brilho da joia, deixando sua superfície mais uniforme e valorizando novamente seus detalhes. Antes do serviço, avaliamos as condições de cada peça para entender qual cuidado é mais adequado e preservar suas características.

Há ainda um trabalho que ocupa um espaço especial dentro da OJ: a ressignificação de joias.

É comum recebermos alianças antigas, correntes que já não são usadas, brincos sem par, anéis herdados ou peças que têm um material valioso, mas um desenho que já não corresponde ao gosto de quem as possui. Em vez de permanecerem guardadas, essas joias podem ser avaliadas para um novo projeto. Nesse processo, observamos o ouro, as pedras e as condições de cada elemento para entender o que pode ser aproveitado. Dessa análise, uma peça antiga pode dar origem a uma nova joia, ou a uma com um desenho completamente diferente. Cada caso exige uma avaliação técnica, mas é justamente isso que torna a ressignificação um trabalho tão particular: partimos de algo que já teve uma história.

Uma pedra guardada pode receber uma nova montagem, o ouro de peças que já não são utilizadas pode participar de um novo projeto, um conjunto de joias pequenas pode ser reorganizado em uma peça única. O objetivo não é simplesmente "derreter uma joia velha", mas entender o que merece ser preservado e como aquele material pode voltar a ser usado de uma forma que faça sentido.

Se você tem uma joia guardada, quebrada ou que já não usa como antes, traga para a Oficina das Joias. Muitas vezes, uma avaliação é o primeiro passo para descobrir tudo o que ainda pode ser feito com ela.

Reportagem com Elaine

Quando a tradição
se alia à inovação

Para fazer a empresa expandir, a aposta foi trazer mudanças sem abrir mão da essência de um negócio familiar.

Elaine Batista Corrales sorrindo ao ar livre Elaine folheando uma edição da revista OJ Elaine sentada a uma mesa ao ar livre, durante a entrevista

Há 17 anos, quase que por acaso, a empresária Elaine Batista Corrales assumiu a administração da joalheria da família. A tradição familiar no ofício de ourives começou com o pai, o fundador Elias Batista, que tem mais de 70 anos de profissão.

Elaine conta que, apesar da formação em Administração de Empresas e da atuação em instituições financeiras, não foi preparada para ser a sucessora e ocupar a liderança da empresa:

"Fui ajudar o meu pai, que estava recém-operado, e acabei me interessando e me apaixonando pelo negócio da família. Não foi nada programado, foi acontecendo."

Logo no início, Elaine percebeu que era necessário mudar para permanecer no mercado e, mais do que isso, para crescer. Hoje, a Oficina das Joias, além da loja física, comercializa os produtos para todo o Brasil por meio do e-commerce e das redes sociais.

"O modelo de administração da época era totalmente diferente do atual. Eu senti que precisava organizar prazos, entregas, criar sistemas e trazer inovação. Era preciso mudar também a forma de atender os clientes. Eu queria oferecer uma experiência para eles."

Assumir o comando não foi fácil e trouxe inúmeros desafios. Como em qualquer mudança, conflitos e ajustes foram necessários até conquistar a confiança e convencer de que o novo não desvalidava a tradição e o legado construído.

"O maior desafio foi trabalhar com meu pai, em uma relação não de pai e filha, mas de dois sócios com visões e ideias diferentes. Em alguns momentos, ele teve dificuldade em aceitar as inovações, e isso gerou atritos que foram resolvidos à medida que tivemos resultados."

Outra transformação significativa proposta pela empresária foi trazer novos produtos para o portfólio. Consolidada na venda de peças em ouro, personalizadas e feitas à mão, a Oficina das Joias passou a oferecer semijoias e semijoias premium, abrindo espaço para atender um público novo.

"Meu pai só trabalhava com ouro e algumas peças em prata, e entendemos que era preciso se adaptar às tendências de mercado que oferecem um valor menor sem perder a qualidade. Muitas mulheres prezam pela variedade de acessórios, e as semijoias cumprem muito bem esse papel. As mais jovens também preferem comprar mais, em maior quantidade, e o preço acaba sendo mais acessível, mesmo no caso de peças premium."

Para o futuro, a projeção é de um mercado em expansão e cada vez mais atraente, mantendo a diversidade de peças que atendam ao que homens e mulheres esperam quando se trata de joias e semijoias.

"Esse é um mercado constante e promissor. Existe espaço para a semijoia e para as peças em ouro. Muitas pessoas não abrem mão de uma peça em ouro, desde aqueles que querem presentear com um bem durável até aqueles apaixonados pelo alto luxo, por peças exclusivas e personalizadas, que tragam requinte e sofisticação."

Elaine ressalta a importância de não perder a referência e o aprendizado que o pai traz no dia a dia.

"Aprendi com meu pai principalmente a ter resiliência. Em tantos anos de empresa, ele teve vários desafios, assaltos, roubos, troca de moedas e planos econômicos, mas seguiu firme, acreditando que iria dar certo, seguiu à frente da empresa própria e não desistiu."

Sobre a sucessão, a empresária acredita que a filha, Alice, pode escolher seguir o mesmo caminho. No entanto, acha que ainda é cedo para isso: é preciso amadurecer e se encantar pela empresa como ela foi conquistada.

"A Alice trabalha hoje com a gente e passa pelas diversas áreas aqui dentro. Para seguir, ela precisa se apaixonar como eu me apaixonei lá atrás. Ela vê o trabalho do avô e, agora, dos pais. Se ela realmente se apaixonar pela Oficina das Joias e se dedicar, será uma excelente sucessora."

Para outras mulheres que, como ela, conciliam diversas atribuições, como as de mães, esposas e líderes, Elaine deixa uma mensagem de encorajamento:

"Eu diria o que falo hoje para minha filha, que trabalha comigo, e também para o meu filho, que se formou em Medicina. A gente tem que dar o nosso melhor todos os dias. É isso que Deus espera de nós! Precisamos dar o melhor como pessoa e como profissional, tendo paciência, buscando inovar e se aperfeiçoar, além de tratar as pessoas da melhor forma possível."

O cartão da edição, em versão digital

Pinte o mosaico

Cada revista impressa vem com um cartão de mosaico para colorir. Aqui está a mesma peça, em versão digital: escolha uma cor e toque em qualquer área para pintar.

Cores

Carregando o mosaico…

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Modelo deitada entre flores, usando joias da coleção Tessalia
Equipe da Oficina das Joias reunida para uma foto
Equipe desta edição
  • Fundador da OJ, Ourives e Relojoeiro Elias Batista
  • Gerente Geral, Ourives e Relojoeiro Paulo José C. Corrales
  • Direção Geral Elaine C. Batista Corrales
  • Coordenação de Produção Vivian Carvalho
  • Reportagem Fabiana V. Teixeira Frassato
  • Design Gráfico Pietra Mortágua Gelmini
  • Fotografia — Ensaio Ana Luísa Menes Sebastião (@by_menes)
  • Fotografia das Peças Fusion Produtora
  • Modelo Alice Batista Corrales
  • Impressão Gráfica Oliveira